Trabalho de Detentos: Projeto sobre trabalho de detentos em atividades públicas recebe veto em Santa Luzia
Proposta de autoria do vereador Fernando de Ariston previa convênio entre o município e o Governo de Minas para utilização de mão de obra de pessoas privadas de liberdade em atividades de interesse público.

Proposta de autoria do vereador Fernando de Ariston previa convênio entre o município e o Governo de Minas para utilização de mão de obra de pessoas privadas de liberdade em atividades de interesse público.
Um projeto de lei apresentado na Câmara Municipal de Santa Luzia e aprovado pelo Legislativo voltou ao centro do debate político após receber veto integral do Poder Executivo.
A proposta, de autoria do vereador Fernando de Ariston, autorizava o município a celebrar convênio com o Estado de Minas Gerais para utilização de mão de obra de pessoas privadas de liberdade em atividades de interesse público, observando as regras previstas na legislação brasileira.
O texto tinha como objetivo permitir que o município pudesse aderir a programas já existentes no sistema prisional, nos quais o trabalho é utilizado como ferramenta de ressocialização e reintegração social.
O que previa o projeto
De acordo com a proposta apresentada pelo vereador Fernando de Ariston, o município poderia firmar parceria com o Governo de Minas Gerais para utilização de mão de obra de pessoas privadas de liberdade em atividades de interesse público.
A iniciativa seguia princípios previstos na Lei de Execução Penal, que reconhece o trabalho como um dos instrumentos de preparação para o retorno à convivência social.
O projeto também estabelecia diretrizes relacionadas às atividades desenvolvidas, acompanhamento técnico e condições necessárias para execução dos serviços.
Razões apresentadas para o veto
Na mensagem encaminhada à Câmara Municipal, o prefeito Paulo Henrique Paulino e Silva informou que a decisão foi baseada em fundamentos jurídicos e administrativos.
Segundo o documento, a celebração de convênios é considerada ato de gestão administrativa, competência atribuída ao Poder Executivo. A Prefeitura argumenta que propostas dessa natureza dependem de iniciativa própria do Executivo e não poderiam ser criadas por meio de projeto de autoria parlamentar.
O documento também aponta questões relacionadas aos impactos operacionais e financeiros da medida.
Entre os pontos citados estão a necessidade de acompanhamento técnico, fornecimento de equipamentos de proteção individual, fiscalização das atividades e demais estruturas necessárias para implementação do programa.
De acordo com a mensagem de veto, o projeto não apresentou estudo de impacto financeiro nem estimativas relacionadas aos custos envolvidos na execução das ações previstas.
Tema gera debate em diversas cidades
Programas que utilizam mão de obra de pessoas privadas de liberdade em atividades públicas existem em diferentes estados brasileiros e costumam ser associados a iniciativas de ressocialização e reintegração social.
Ao mesmo tempo, a implantação dessas medidas normalmente exige regulamentação específica, acompanhamento institucional e definição clara das responsabilidades de cada órgão envolvido.
Por esse motivo, o tema costuma gerar debates envolvendo aspectos jurídicos, administrativos e sociais.
O que acontece agora
Com o veto integral apresentado pelo Executivo, a matéria retorna para apreciação da Câmara Municipal de Santa Luzia.
Os vereadores poderão analisar os argumentos apresentados e decidir pela manutenção ou derrubada do veto durante votação em plenário.
Até que haja nova deliberação do Legislativo, a proposta permanece sem efeitos práticos.
O assunto deverá voltar à pauta da Câmara nas próximas semanas e poderá gerar novas discussões sobre políticas de ressocialização e cooperação entre o município e o sistema prisional.
📌 Fonte
Mensagem nº 042/2026 – Prefeitura Municipal de Santa Luzia.
Veto integral à Proposição de Lei nº 72/2026, de autoria do vereador Fernando de Ariston.
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